Você chegou assim, como quem não quer nada, em companhia de uma das minhas melhores amigas. Coberta por uma brancura imaculada, lindíssima por fora e por dentro. Quando te vi, foi amor à primeira vista: meu coração se encheu de esperança, ternura e, sim, um certo alívio, pois desde o primeiro instante eu soube que você estaria do meu lado, sempre.
E assim foi. Você não me decepcionou em momento algum, correspondeu a todas as minhas expectativas! Me ajudou, salvou minha vida nos momentos mais desesperadores, tirou grandes pesos das minhas costas, poupou meus esforços em situações dramáticas. Em troca, te acolhi em meu humilde lar, te sustentei, paguei suas contas, enxuguei o rio de lágrimas que, por muitas vezes, você derramou ao exercer suas funções. Te dei todo amor e carinho que pude e que não pude.
Cuidei de você como se fosse minha... ... como se fosse...
... porque você nunca foi minha, de verdade.
Apesar disso, sempre foi fiel, jamais sequer considerou me sacanear.
Muitas vezes perdi o sono, pensando em como poderia te conquistar. Porém, minhas noites em claro foram em vão: me esforcei, quebrei a cabeça, fiz contatos, pedi, implorei, tentei negociar... a tristeza tomava conta da minha alma quando pensava que você inevitavelmente me deixaria. Sim, eu estava certa de que esse momento chegaria – mas não imaginei que fosse tão repentinamente.
Você agora está nos braços de outra pessoa, que pode te dar um grande valor, mas não tanto quanto eu te dei nesses dois anos de convivência. Não sei se, apesar de tudo, você deixou minha casa com a impressão de que te explorei demais, sendo que me utilizei de suas forças até o último minuto em que você esteve presente... e se esse foi seu pensamento quando me deixou, peço as mais sinceras desculpas.
Querida... você iluminou meus dias. E, na hora de lavar a roupa suja de nossa relação, você foi sempre compreensiva, eficiente, atenciosa, carinhosa. Nunca deixou a desejar, e sei que nunca deixará, mesmo estando longe de mim, em algum lugar que desconheço completamente. E o espaço vazio que você deixou, será agora preenchido com sofrimento, dor e agonia.
Mas não se preocupe. Hei de me acostumar com essa situação, sendo que não há outro jeito.
E é por essas e outras que eu presto esta singela homenagem a você, amada.
Obrigada por tudo! E mesmo que um dia eu consiga te substituir fisicamente, nunca me esquecerei de seus esforços e de sua dedicação, que tornaram minha vida muito mais fácil e feliz.
Eu te quis pra mim... mas não foi possível. Me perdoe.
Adeus, máquina de lavar da Carol. Eu sempre te amarei.
Sim... a Carol vendeu a máquina de lavar dela, que estava aqui em casa há mais ou menos dois anos. Vou ter que lavar roupas no tanque... DROGA DE VIDA!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
MODS COM ROCKERS DÁ TRETA
Tava ali na padoca
Comendo uma chuleta
Quando vi lá de fora
Parada uma lambreta
De topete pra cima
Cheguei dando a muqueta
Descobri que era mina
Ao chutar-lhe a buceta
Dead Boy
Pra quem não sabe do que ele ta falando:
http://www.youtube.com/watch?v=XHa0OWR39k8
Comendo uma chuleta
Quando vi lá de fora
Parada uma lambreta
De topete pra cima
Cheguei dando a muqueta
Descobri que era mina
Ao chutar-lhe a buceta
Dead Boy
Pra quem não sabe do que ele ta falando:
http://www.youtube.com/watch?v=XHa0OWR39k8
segunda-feira, 8 de junho de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Olá crianças feias e cabeçudas que perdem seu precioso tempo nessa birosquinha gostosa.
Resolvi criar vergonha na cara e postar de vez uma tirinha tosca que me deu muito trabalho pra fazer no paint!
Espero que vocês gostem, mas se não gostarem também tanto faz. Sou cuzão e nem ligo para o que vocês pensam, lero, lero...
sábado, 11 de abril de 2009
Pelé ou Maradona?
Na cidadezinha, bem na divisa Brasil/Argentina, a igreja enche para a missa das 10h.
Argentinos, brasileiros, prefeito, etc…
O padre começa o sermão:
- Irmãos, estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus. Aquele povo desgraçado, como esses argentinos que estão aqui.
- Ohhhhhhh! - Coro generalizado na igreja e, logo depois, o maior tumulto.
Os argentinos saíram xingando o padre, houve briga na porta da igreja.
O prefeito levou a mão na cabeça, indignado.
Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:
- Padre, pega leve, os argentinos vêm para cá, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade. Não faça mais isto, por favor.
Durante toda a semana a cidade não falou de outra coisa senão do padre e o sermão do domingo.
Aquele "zum zum zum" todo foi deixando as pessoas curiosas para saber como seria no domingo seguinte.
É bem verdade que uma parte estava até satisfeita, pois não morriam de amores pelos hermanos.
Finalmente, chega o domingo, o prefeito vai à sacristia e recomenda:
- Padre, o senhor lembra-se da nossa conversa, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?
Começa a missa e o padre chega ao sermão:
- Irmãos, estamos aqui reunidos, hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia:
Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui.
Mal acabou de falar e não deu outra! Pancadaria na igreja! Algumas internações no pronto-socorro local e o prefeito novamente foi ao encontro do padre:
- Padre, pelo amor de Deus! O senhor não me disse que ia pegar leve? Se o senhor não parar com isso, vou ter que pedir sua retirada imediata da paróquia.
Naquela semana, o "zum zum zum" foi maior ainda.
O papo era só o sermão e ninguém perderia a missa do próximo domingo, nem por decreto!
Na manhã do domingo, a igreja parecia final de campeonato brasileiro: não tinha lugar para ninguém.
O prefeito entra na sacristia escoltado pela polícia e adverte:
- Padre, pega leve, senão te levo em cana!
A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar, de tanta gente.
Neguinho que há anos não pisava na igreja, parecia que era o mais devoto dos católicos.
Quando o padre aparece, tensão generalizada... bochichos... Até que ele começa o sermão:
- Irmãos, estamos aqui reunidos hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia.
(O prefeito então respirou aliviado)
- Jesus, naquele momento disse aos apóstolos: - Esta noite, um de vocês me trairá.
Então João pergunta: - Mestre sou eu?
E Jesus respondeu: - Não, João, não será você.
Pedro pergunta: - Mestre serei eu?
E Cristo respondeu: - Não, Pedro, não será você.
E então Judas pergunta: - Miestre, soy yo?
(tirado do blog O Porteiro)
Argentinos, brasileiros, prefeito, etc…
O padre começa o sermão:
- Irmãos, estamos hoje aqui reunidos para falar dos Fariseus. Aquele povo desgraçado, como esses argentinos que estão aqui.
- Ohhhhhhh! - Coro generalizado na igreja e, logo depois, o maior tumulto.
Os argentinos saíram xingando o padre, houve briga na porta da igreja.
O prefeito levou a mão na cabeça, indignado.
Acabada a confusão, o prefeito foi falar com o padre na sacristia:
- Padre, pega leve, os argentinos vêm para cá, gastam nas lojas, nos restaurantes, trazem divisas para a cidade. Não faça mais isto, por favor.
Durante toda a semana a cidade não falou de outra coisa senão do padre e o sermão do domingo.
Aquele "zum zum zum" todo foi deixando as pessoas curiosas para saber como seria no domingo seguinte.
É bem verdade que uma parte estava até satisfeita, pois não morriam de amores pelos hermanos.
Finalmente, chega o domingo, o prefeito vai à sacristia e recomenda:
- Padre, o senhor lembra-se da nossa conversa, não? Por favor, não arrume nenhuma encrenca hoje, certo?
Começa a missa e o padre chega ao sermão:
- Irmãos, estamos aqui reunidos, hoje, para falar de uma pessoa da Bíblia:
Maria Madalena. Aquela mulher, a prostituta que tentou Jesus, como essas argentinas que estão aqui.
Mal acabou de falar e não deu outra! Pancadaria na igreja! Algumas internações no pronto-socorro local e o prefeito novamente foi ao encontro do padre:
- Padre, pelo amor de Deus! O senhor não me disse que ia pegar leve? Se o senhor não parar com isso, vou ter que pedir sua retirada imediata da paróquia.
Naquela semana, o "zum zum zum" foi maior ainda.
O papo era só o sermão e ninguém perderia a missa do próximo domingo, nem por decreto!
Na manhã do domingo, a igreja parecia final de campeonato brasileiro: não tinha lugar para ninguém.
O prefeito entra na sacristia escoltado pela polícia e adverte:
- Padre, pega leve, senão te levo em cana!
A igreja estava abarrotada. Quase não se conseguia respirar, de tanta gente.
Neguinho que há anos não pisava na igreja, parecia que era o mais devoto dos católicos.
Quando o padre aparece, tensão generalizada... bochichos... Até que ele começa o sermão:
- Irmãos, estamos aqui reunidos hoje, para falar do momento mais importante da vida de Cristo: a Santa Ceia.
(O prefeito então respirou aliviado)
- Jesus, naquele momento disse aos apóstolos: - Esta noite, um de vocês me trairá.
Então João pergunta: - Mestre sou eu?
E Jesus respondeu: - Não, João, não será você.
Pedro pergunta: - Mestre serei eu?
E Cristo respondeu: - Não, Pedro, não será você.
E então Judas pergunta: - Miestre, soy yo?
(tirado do blog O Porteiro)
sexta-feira, 6 de março de 2009
Alguém apaga esse sol!
Bom, venho hoje fazer uma reclamação a respeito desse calor ODIOSO que tem derretido os ânimos do pessoal, ultimamente.
Gente, que calor é esse?! Não dá vontade de sair de casa durante o dia, e se você sai, volta praticamente afogado em suor! Que absurdo! A situação está alarmante, e isso é um completo abuso de autoridade por parte de São Pedro. O cara não tá vendo que o povo aqui já não aguenta mais?!
Uma noite dessas, resolvi checar a temperatura aqui da cidade, só pra matar a curiosidade... qual não é a minha surpresa ao constatar que, às 23 horas, fazia VINTE E SETE graus!
Pô, 27°C à noite?! Isso é praticamente um delicioso dia de verão em Estocolmo, ou em Helsinque.
Por favor, alguém faça alguma coisa!
São Pedro, manda um dilúvio aqui, porque a coisa tá preta...
... ou apaga de vez esse sol do cacete!
(Post inútil mesmo, mas pelo menos valeu pra mostrar meu total descontentamento com esse calor infernal.)
Gente, que calor é esse?! Não dá vontade de sair de casa durante o dia, e se você sai, volta praticamente afogado em suor! Que absurdo! A situação está alarmante, e isso é um completo abuso de autoridade por parte de São Pedro. O cara não tá vendo que o povo aqui já não aguenta mais?!
Uma noite dessas, resolvi checar a temperatura aqui da cidade, só pra matar a curiosidade... qual não é a minha surpresa ao constatar que, às 23 horas, fazia VINTE E SETE graus!
Pô, 27°C à noite?! Isso é praticamente um delicioso dia de verão em Estocolmo, ou em Helsinque.
Por favor, alguém faça alguma coisa!
São Pedro, manda um dilúvio aqui, porque a coisa tá preta...
... ou apaga de vez esse sol do cacete!
(Post inútil mesmo, mas pelo menos valeu pra mostrar meu total descontentamento com esse calor infernal.)
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Mais um em ingrêis
Bom pessoal, aproveitando a onda de poemas em inglês, postarei o único que eu tenho nessa língua. Já vou avisando que eu só falo português. Erros, reclamem com o Dead Boy que corrigiu esse.
--This poem runs after its own tail--
Sometimes I don't feel good
and I can't understand what I'm saying...
If I'm really saying...
Sometimes the things are confused
and the words loses the meaning under my foot...
Sometimes my life escapes of my hands
and the best solution is sell my soul...
Sometimes seems I don't have any soul to sell...
I walk alone on my poetry 'cause I want to find me....
Find you... And I find only an infinite empitness...
A stranger of my own eyes...
Another's reflex... Another's reflection...
A lent language...To say of what I don't understand...
For don't really say...
Sometimes I don't feel good...
--This poem runs after its own tail--
Sometimes I don't feel good
and I can't understand what I'm saying...
If I'm really saying...
Sometimes the things are confused
and the words loses the meaning under my foot...
Sometimes my life escapes of my hands
and the best solution is sell my soul...
Sometimes seems I don't have any soul to sell...
I walk alone on my poetry 'cause I want to find me....
Find you... And I find only an infinite empitness...
A stranger of my own eyes...
Another's reflex... Another's reflection...
A lent language...To say of what I don't understand...
For don't really say...
Sometimes I don't feel good...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Dois poeminhas...
Olá, gentes.
Bom, esses dias eu andei um pouquinho inspirada e escrevi dois poeminhas, em inglês. Como não tenho muito o que fazer com eles, gostaria de postar aqui.
O primeiro não tem nome... mas o segundo, "For my Valentine", foi inspirado no Valentine's day, que é o dia dos namorados comemorado em outros países. Ao contrário do que acontece no Brasil, onde a data foi instituída devido à baixa do comércio no período de junho, o dia dos namorados internacional é comemorado no dia 14 de fevereiro (ou seja, anteontem), que é o dia de são Valentim.
Não sou uma poetisa nata, então me desculpem se os poeminhas saíram uma merda, ok?
Aí vão:
***
so softly you speak
that my ears can barely hear
the sound of your soft voice.
so softly you speak
that my body shivers in fear
at the sound of a minimum noise.
so pleasant is your soft speak,
so wonderful your whispering voice,
that it makes the words so weak...
... getting deaf is my only choice.
***
For my Valentine
if your attention wasn't enough
if I couldn't be so tough
if times are getting rough
if so much tension we're going through
if I've ever cursed and lied
if our felings have almost died
if what we had isn't worth saving
if it wasn't what we were craving
if the river I cried is dry
if there's nothing else we can try
if tears don't roll on my face
if I no longer miss your embrace
if memories just bring us regret
if the only solution is to forget
if indifference has filled your heart
if we're already torn apart
if good moments are all in the past
if we know it will no longer last
if I can't keep on with our love story...
... I'm so sorry.
***
Obrigada pela oportunidade, espero voltar ao programa mais vezes pra divulgar o meu trabalho, seja lá qual ele for.
Queria mandar um abração pra caravana de Piraporinha do Sudonorte, pra minha mãe, pro meu pai, pro meu irmão, pro meu namorado e pros meus companheiros do blog Salsichards.
Valeu!
*deixa o palco com um sorrisinho imbecil, dando tchauzinho pra platéia*
P.S: Em tempo: meu namoro vai muito bem, obrigada. haha!
Bom, esses dias eu andei um pouquinho inspirada e escrevi dois poeminhas, em inglês. Como não tenho muito o que fazer com eles, gostaria de postar aqui.
O primeiro não tem nome... mas o segundo, "For my Valentine", foi inspirado no Valentine's day, que é o dia dos namorados comemorado em outros países. Ao contrário do que acontece no Brasil, onde a data foi instituída devido à baixa do comércio no período de junho, o dia dos namorados internacional é comemorado no dia 14 de fevereiro (ou seja, anteontem), que é o dia de são Valentim.
Não sou uma poetisa nata, então me desculpem se os poeminhas saíram uma merda, ok?
Aí vão:
***
so softly you speak
that my ears can barely hear
the sound of your soft voice.
so softly you speak
that my body shivers in fear
at the sound of a minimum noise.
so pleasant is your soft speak,
so wonderful your whispering voice,
that it makes the words so weak...
... getting deaf is my only choice.
***
For my Valentine
if your attention wasn't enough
if I couldn't be so tough
if times are getting rough
if so much tension we're going through
if I've ever cursed and lied
if our felings have almost died
if what we had isn't worth saving
if it wasn't what we were craving
if the river I cried is dry
if there's nothing else we can try
if tears don't roll on my face
if I no longer miss your embrace
if memories just bring us regret
if the only solution is to forget
if indifference has filled your heart
if we're already torn apart
if good moments are all in the past
if we know it will no longer last
if I can't keep on with our love story...
... I'm so sorry.
***
Obrigada pela oportunidade, espero voltar ao programa mais vezes pra divulgar o meu trabalho, seja lá qual ele for.
Queria mandar um abração pra caravana de Piraporinha do Sudonorte, pra minha mãe, pro meu pai, pro meu irmão, pro meu namorado e pros meus companheiros do blog Salsichards.
Valeu!
*deixa o palco com um sorrisinho imbecil, dando tchauzinho pra platéia*
P.S: Em tempo: meu namoro vai muito bem, obrigada. haha!
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
O que você faria?
A situação é a seguinte:
Dia ensolarado, céu azul... e um calor infernal.
Você ali no ônibus, a caminho de casa, voltando do centro da cidade. O ônibus mais parece uma jaula com rodas, caindo aos pedaços, e "desconfortável pra cacete" é eufemismo pra descrever os banquinhos que, por sinal, estavam lotados. Ônibus cheio é uma desgraça!
Já é por volta de 6 e meia da tarde, horário em que a galera volta do trabalho. Logo você percebe um cheiro desagradável no ônibus e, quando olha para o lado, vê alguns sovacos apontados na direção da sua cabeça, que já está dolorida devido ao calor. Você tenta mudar de lugar, mas não adianta: os sovacos estão espalhados pelo ônibus inteiro.
Mas... como se não bastassem os sovacos fedorentos, sua vizinha, uma senhora no auge dos seus 50-quase-60 anos, entra no busão. Gorda, diga-se de passagem. Aliás, bem gorda, loira, e usando um vestidinho rosa-bebê florido, daqueles de viscose. Ela tem certa dificuldade pra subir, e depois quase fica presa na catraca do ônibus. Após vencidas as barreiras, ela te cumprimenta com um rápido "oi, tudo bem?", posiciona-se ao seu lado, procurando algum banco para se sentar, e logo consegue: um rapaz de bom coração cede o banco à senhora.
A viagem prossegue... e você, finalmente, avista o ponto da esquina da sua casa e puxa a cordinha (sim, cordinha, o ônibus é velho demais para ter aqueles botõezinhos). Mais que depressa, a senhora gorda começa a se movimentar no banco, preparando-se para levantar. Em seguida, posiciona-se na sua frente, logo na porta de saída - claro, ela precisa sair antes, afinal, tem mais pressa que você.
Você dá uma olhadinha pra baixo, sem compromisso algum, pensando na conta que pagou, ou no que vai comer amanhã na hora do almoço... mas, quando você nota, a única coisa que ocupa o seu campo de visão é o traseiro gigantesco da vizinha gordona. Infelizmente, você não pôde deixar de notar que a parte de trás do vestido estava quase toda enfiada naquela bunda enorme: uma cena grotesca. Não precisaria dizer que a senhora não percebeu a situação desagradável em que o pobre vestido se encontrava, é lógico.
O ônibus pára. Ela desce, e você em seguida, tentando ficar sempre atrás, para que a vizinha não tenha chance de puxar assunto. Nada contra ela, pessoalmente: uma senhora simpática e até já cedeu uma xícara de açúcar praquele pão-de-ló que você havia feito um mês antes. Mas a dor de cabeça havia consumido todo seu bom humor, e a última coisa que você gostaria era ter que dirigir a palavra a qualquer pessoa, mesmo que fosse, sei lá, o David Bowie.
E vocês andam. E o vestido enfiado. E ela anda. E o vestido não sai. E ela continua na sua frente. E você quer rir, mas não pode. E o vestido ainda lá. E ela pára pra conversar com a amiga que encontrou na frente da sua casa. E os pedreiros da construção ao lado apontam, e riem. E o vestido continua escandalosamente enfiado.
O que você faz?
Avisa a vizinha sobre o vestido, livrando-a da situação desagradável e criando uma outra situação tão desagradável quanto? Tenta tirar o vestido, esbarrando na bunda da vizinha e arriscando levar um tapa na cara? Deixa passar, entra na sua casa e finge que nada aconteceu? Alguma outra alternativa?
Dia ensolarado, céu azul... e um calor infernal.
Você ali no ônibus, a caminho de casa, voltando do centro da cidade. O ônibus mais parece uma jaula com rodas, caindo aos pedaços, e "desconfortável pra cacete" é eufemismo pra descrever os banquinhos que, por sinal, estavam lotados. Ônibus cheio é uma desgraça!
Já é por volta de 6 e meia da tarde, horário em que a galera volta do trabalho. Logo você percebe um cheiro desagradável no ônibus e, quando olha para o lado, vê alguns sovacos apontados na direção da sua cabeça, que já está dolorida devido ao calor. Você tenta mudar de lugar, mas não adianta: os sovacos estão espalhados pelo ônibus inteiro.
Mas... como se não bastassem os sovacos fedorentos, sua vizinha, uma senhora no auge dos seus 50-quase-60 anos, entra no busão. Gorda, diga-se de passagem. Aliás, bem gorda, loira, e usando um vestidinho rosa-bebê florido, daqueles de viscose. Ela tem certa dificuldade pra subir, e depois quase fica presa na catraca do ônibus. Após vencidas as barreiras, ela te cumprimenta com um rápido "oi, tudo bem?", posiciona-se ao seu lado, procurando algum banco para se sentar, e logo consegue: um rapaz de bom coração cede o banco à senhora.
A viagem prossegue... e você, finalmente, avista o ponto da esquina da sua casa e puxa a cordinha (sim, cordinha, o ônibus é velho demais para ter aqueles botõezinhos). Mais que depressa, a senhora gorda começa a se movimentar no banco, preparando-se para levantar. Em seguida, posiciona-se na sua frente, logo na porta de saída - claro, ela precisa sair antes, afinal, tem mais pressa que você.
Você dá uma olhadinha pra baixo, sem compromisso algum, pensando na conta que pagou, ou no que vai comer amanhã na hora do almoço... mas, quando você nota, a única coisa que ocupa o seu campo de visão é o traseiro gigantesco da vizinha gordona. Infelizmente, você não pôde deixar de notar que a parte de trás do vestido estava quase toda enfiada naquela bunda enorme: uma cena grotesca. Não precisaria dizer que a senhora não percebeu a situação desagradável em que o pobre vestido se encontrava, é lógico.
O ônibus pára. Ela desce, e você em seguida, tentando ficar sempre atrás, para que a vizinha não tenha chance de puxar assunto. Nada contra ela, pessoalmente: uma senhora simpática e até já cedeu uma xícara de açúcar praquele pão-de-ló que você havia feito um mês antes. Mas a dor de cabeça havia consumido todo seu bom humor, e a última coisa que você gostaria era ter que dirigir a palavra a qualquer pessoa, mesmo que fosse, sei lá, o David Bowie.
E vocês andam. E o vestido enfiado. E ela anda. E o vestido não sai. E ela continua na sua frente. E você quer rir, mas não pode. E o vestido ainda lá. E ela pára pra conversar com a amiga que encontrou na frente da sua casa. E os pedreiros da construção ao lado apontam, e riem. E o vestido continua escandalosamente enfiado.
O que você faz?
Avisa a vizinha sobre o vestido, livrando-a da situação desagradável e criando uma outra situação tão desagradável quanto? Tenta tirar o vestido, esbarrando na bunda da vizinha e arriscando levar um tapa na cara? Deixa passar, entra na sua casa e finge que nada aconteceu? Alguma outra alternativa?
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