quarta-feira, 18 de abril de 2012

O Portão


Nos idos de 2008, encontramos uma salsicha solitária, conservada no freezer de uma república suja. Era o nosso freezer, da nossa república contaminada com a nossa sujeira; e sim, aquela definitivamente era nossa salsicha, comprada com o suor do rosto dos nossos papais e mamães... Era nossa, por direito! Acontece que a salsicha era rebelde, fugiu do seu saco e do seu destino... Não virou recheio pra cachorro quente, virou revolucionária.
Foi meio por acaso que conhecemos Salsichards, com seu bigodón e belos olhos azuis. Na verdade, nem lembro ao certo como tudo aconteceu. Imagino a fome furiosa que tínhamos na brisa noturna de um dia qualquer, quando vasculhamos a geladeira atrás de alguma coisa que pudesse ser devorada e encontramos a salsicha revolucionária, recusando-se terminantemente a cumprir sua função social de ser comida.
Nós, por outro lado, de revolucionários não tínhamos nada. Não passávamos de vagabundos: deitados o dia inteiro, tomando café, colecionando bitucas e brincando de “adivinhe a música”; ou fazendo qualquer coisa que nos convencesse de que estávamos ocupados demais pra ir à aula.
Salsichards nos persuadiu a criar esse blog e escrever sobre as coisas da vida, a sair daquele marasmo e dizer algo ao mundo. Nós apenas nos deixamos levar por suas palavras de ordem e fizemos um esforço mínimo pra escrever aqui. Uma vez a cada muitos meses, alguém punha a bunda na cadeira e despejava alguma irrelevância. Até que finalmente, sem mais nem menos, nós paramos de postar. Eu parei de escrever. A fonte havia secado.
Acontece que outro dia, vejam só, ao abrir o freezer aqui de casa, dei de cara com o velho amigo Salsichards. O safado veio até Jundiaí só pra me pregar uma peça. Conversamos por horas... Ele me disse coisas sobre a Revolução das Salsichas e passou o resto do tempo insistindo pra que eu voltasse ao blog. E como sou volúvel, aqui estou!
Estar de volta é como estar no freezer com Salsichards. É estar entre velhos amigos. É congelar o tempo, deixando a amizade sempre conservada. É suprimir o espaço, estando em São Paulo, Jundiaí, Londrina, Itapetininga, Bauru e Berlim tudonomesmolugar. É despejar alguma irrelevância de forma metafórica pra parecer inteligente. É não saber como terminar o texto e mesmo assim fazê-lo.


Atenção: Sou um cara bastante democrático, por isso proponho uma votação.

Se você acha que eu devo continuar a escrever por aqui, deixe seu comentário OU não faça nada.
Se você acha que eu não devo continuar, ligue 0800-45325-5835-43111 OU dê uma mortal pra trás.

Não deixem de votar! 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Totalmente demaaaaaais...

Uma das melhores obras poéticas do país, do mundo, do universo, DA BAHIA!

***

"Linda como um neném,
Que sexo tem, que sexo tem?
Namora sempre com gay.
Que nexo faz, tão sexy e gay?

Rock´n´roll,
Pra ela é jazz.
Já transou
Hi-life, society,
Bancando o jogo alto.

Esperta como ninguém,
Só vai na boa,
Só se dá bem.
Na lua cheia tá doida,
Apaixonada, não sei por quem.

Agitou um broto a mais,
Nem pensou...
Curtiu, já foi,
Foi só pra relaxar!

Sabe sempre quem tem,
Faz avião, só se dá bem.
Se pensa que tem problema,
Não tem problema:
Faz sexo bem!

Seu carro é do ano,
Seu broto é lindo.
Seu corpo, tapete do tipo que voa.
É toda fina.
Modelito design.

Se pisca, hello.
Se não dá, bye-bye.

Seu cheque é novinho, ela adora gastar.
Transou um Rolling Stone no Canadá.

Fazendo manha,
Bancando o jogo.
Que mulher!

Totalmente demais...
Demais!
Totalmente demais...
Demais!"

(Hanoi Hanoi - "Totalmente demais")

***

Só pra dizer que postei alguma coisa esse semestre,... já que estou aqui na aula de Planejamento Gráfico e Editorial III e, além do professor, têm mais 8 pessoas na sala e 3 delas estão indo embora neste exato momento. haha

Beijo pra todos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Inocência

O sítio era pequeno, provavelmente corria o risco de ser rebaixado da categoria "sítio" caso fosse alguns centímetros menor. Um pomar, uma horta, animais, enfim, tudo o que se encontra num sítio, havia lá.

Oito horas da manhã, o caseiro estava ali sentado, encostado na jaboticabeira. Meia idade. Barba por fazer há quatro, talvez cinco dias. Pele clara. Tinha os olhos azuis, caídos, e vermelhos, também com um toque amarelado, provavelmente resultado da soma das incontáveis doses de cachaça da madrugada anterior com a aparente cirrose hepática.

Ela tinha oito anos. Era verão e ela usava uma camisola rosa, um pouco acima dos joelhos, chinelos brancos e os cabelos presos por um laço, também branco. Corria atrás das pombas, tentando fazer disso algo divertido, enquanto a avó, dona do sítio, preparava o café.

Os olhos vermelho-amarelados a observavam enquanto brincava. Ela retribuía o olhar e sorria, inocentemente.

O homem acenou com a mão:

- Ei! Pequena! Venha aqui me dar uma ajuda.

Caminhou até ele. Logo notou suas pernas fechadas e as mãos sobre algo, entre sua barriga e as coxas, que ele parecia esconder. Parou em sua frente, já com o olhar curioso, imaginando o que haveria escondido ali entre suas pernas. Seria uma fruta? Uma pedra, uma flor? Não, ela não conseguia disfarçar. Queria saber o que tinha em suas mãos. Ele percebeu e prontamente sorriu um sorriso cínico, vulgar. Talvez o lobo-mau tivesse aquele mesmo sorriso no rosto quando a Chapéuzinho Vermelho se aproximou dele.

Ele abriu uma das mãos. Segurava, com a outra, o pinto.


No mesmo momento, o olhar curioso da menina tornou-se espantado. E antes que ela pudesse reagir, ele a pegou pelo braço.

- Venha cá, não tenha medo... pode fazer carinho.

Ela não queria, forçava seu corpo para a direção oposta. Mas ele era mais forte, muito mais. Puxou o frágil braço dela em direção às suas pernas e a fez tocar o pinto.

- Isso... agora faz carinho. Pode fazer.

Ela estava assutada, mas obedecia. Sempre calada.

- Viu como ele está gostando?

Ela continuava calada, acariciando. Ele também acariciava.

- Bem, agora vamos fazer o seguinte... vamos colocá-lo ali dentro.

Não, ela não queria.

- Vamos, não precisa ter medo!

Ele se levantou, ainda com o pinto na mão, e a levou com ele, pelo braço.

Ela olhava o pinto.

Viu quando o homem, cambaleando, colocou o pinto dentro do galinheiro e fechou a portinhola.

A galinha ficou feliz em rever o filho fujão.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Inalo,
Bebo,
Ingiro,
Enterro.
Com pó...
Fumaça...
Ácido...
Sufoco.
Para que não acabe comigo,
Me acabo...

T.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O video secreto.

Descobri um vídeo que alguns integrantes/agregados da Meia-Bomba fizeram há algum tempo. Isso é algo que precisa ser divulgado.

Deliciem-se:



Sem mais para o momento.

domingo, 2 de maio de 2010

Só pra...

... dizer que postei algo em 2010.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Aos meus amigos, meus amores.

Pois é pessoal... O pavio de 2009 está bem curtinho agora! E, apesar da iminente explosão, parece que ele vai mesmo é se apagar para que uma nova luz se acenda ao ano de 2010.
Caramba, quanto cliché! Mas é aquela coisa, um ano nem acaba e as esperanças vão ressurgindo no coração de cada um como que por encanto. É ridículo, eu sei, mas não esperem que eu seja O chato e sopre a velinha que arde hoje no peito dos antes desiludidos, recém iludidos. Não, eu não!
Pelo contrário, vou eu mesmo criando projetos, fazendo promessas, me preocupando com coisas que eu sei que não realizarei, não cumprirei, me esquecerei. Que 2010 termine cheio das mesmas desilusões, de outras desilusões... Não importa! Que venham as desilusões que tanto alimentam nossos projetos e promessas; que venham as ilusões!
É tudo questão de ótica, mas essa época do ano me parece fantástica, muito mais que o resto dele. O ano, ao passar por nós, sempre nos machuca. E quantos machucados não doeram nesse ano?! Quantos blues e sertanejos foram derramados com nossas lágrimas de cotovelos?! Quantos analgésicos para curar os arrependimentos das nossas noites embebidas em sorrisos amargurados?! Quantos exercícios de recuperação pelas nossas falhas na academia?! Não importa os quantos, não importa o quanto 2009 doeu, devemos, nessa época, sonhar com o que vem.
Desejo a todo mundo um 2010 cheio de blues e sertanejos, de lágrimas de cotovelos, de analgésicos e arrependimentos, de noites, bebidas e sorrisos amargurados, de recuperação, de falhas. Que o ano que chega seja cheio das ressacas de quem sonha... Mas de dia, pra não perder a madrugada.
Um brinde a luz de nossas velas a todos os amigos que não temos e os amores que não vivemos! Ainda.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Visitas em casa, amanhã.

Como o título já disse, amanhã receberei ilustres visitas em meu humilde - e detonado - apartamento: o José (chamado por alguns de "Eduardo") e seu irmão, Henrique, que no fim das contas é o principal motivo da visita (ele vem fazer prova de vestibular na Unesp). Então é claro que precisei deixar esse apartamento, no mínimo, apresentável.

Em outras palavras: dia de faxina.

Gente, eu não nasci pra limpar casa. Varrer, passar pano, limpar banheiro, lavar louça, levar o lixo pra fora... meu, que pesadelo! Sendo assim, é lógico que eu não caprichei nada, e se alguém não gostar ou se sentir ofendido com a bagunça, ou estiver na expectativa de encontrar um típico apartamento de menininha, com florzinhas, decoração impecável, móveis combinando e essas coisas (tipo o do Dead Boy), eu mando se foder. Azar. Não me enche o saco.

O piso aqui já tem 16 anos de existência, e será trocado em breve. As paredes estão levemente marrons (já foram brancas, um dia), e é óbvio que eu não vou perder o meu precioso tempo (que eu uso pra fazer porra nenhuma) esfregando-as. Já tô com uma dor terrível nas costas só de ter passado pano na casa inteira, imagina se ainda encanasse de esfregar as malditas paredes! Então não venham me encher o saco por causa disso.

Outra coisa: as teias de aranha ainda estão penduradas no teto, e ali ficarão. As aranhas são minhas amigas, e eu as amo. Não encham o saco delas.

Sim, tem uma caixinha de areia, também conhecida pela alcunha de "banheiro dos gatos", no corredor, bem na frente da porta dos quartos. Me desculpem, mas essa também vai ter que ficar por ali, a não ser que vocês tenham algum tipo de prazer em observar o xixi de um dos meus gatos escorrendo pelo chão. É, ele costumava fazer isso antes de eu ter a brilhante idéia de forrar o chão com um saco de lixo (vazio, obviamente) e colocar a caixa de areia ali em cima. Não me encham o saco com nojinho da caixa de areia.

Ainda preciso ver se consigo um colchão extra com algum vizinho, aqui. Se não conseguir, alguém vai ter que dormir no sofá-cama mais velho do mundo (ele foi presente de casamento pra mãe da Dercy Gonçalves) que tem lá no outro quarto. Até que dá pra dormir nele... o problema é que ele é meio duro, e a pessoa que dormir lá vai acordar com dores consideráveis na coluna e no pescoço. Mas tudo bem, a gente tira no palitinho, no "par ou ímpar", no "dois ou um", pra ver quem encara a tortura. Os dois que saírem ganhand, vão dormir na cama de casal. Àquele que perder, favor não encher o saco dos vencedores e dormir sem reclamar sob as condições supracitadas.

O sofá da sala tem um buraco enorme, do lado esquerdo. Não tirem a almofada dali pra sentar, em hipótese alguma. E não venham me encher o saco pra tirar a almofada, eu já disse que não é pra tirar.

É permitido fumar neste local. Não-fumantes, não me encham o saco.

Não me peçam permissão pra pegar coisas da geladeira. A casa também é de vocês, então façam o favor de não me encher o saco.

Pretendo deixar um rango pronto pra quando vocês chegarem, e se estiver ruim, também não me encham o saco. Eu não sou mestre em culinária tipo a Renata, aliás, não chego nem perto disso.

Depois de tudo isso, fiquem sabendo que vocês serão muito bem vindos, e que eu vou adorar recebê-los aqui, de verdade.

Venham logo!

E não me encham o saco.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

2D

Fixo um ponto
Traço uma reta
Pronto
Arrependo
Arrebento
Procuro outro ponto
Pronto
No papel branco
Tem tanto
E eu não tento nenhum

Tanto faz a perspectiva
Tenho plena convicção
De que a minha não me leva
Pr'uma outra dimensão

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A grande filha da puta.

Olá, queridos e queridas.

Como a grande filha da puta que sou, resolvi tentar, ao menos, me justificar. Já que ninguém veio mesmo ouvir a minha versão da história... pelo menos aqui, talvez, eu tenha um pouco de voz.

Eu sei que isso pode soar como a desculpa mais estúpida, esfarrapada e medíocre do universo, mas a verdade é que eu não podia mais fazê-lo sofrer.

Já não sou mais a mesma pessoa que era antes, ou melhor, "não estou" a mesma pessoa. Tenho problemas que se mostraram um pouco mais sérios do que eu achei que fossem. Apesar de não parecer, ou de ninguém notar (porque eu não gosto de deixar isso transparecer, mesmo), eu estou triste, deprimida, sem motivação pra nada, sem vontade de fazer as coisas, de ver gente, de falar com gente, e às vezes nem de respirar.

Já perdi dois anos da minha maldita faculdade. Já me fodi, e se querem saber, nem sei mesmo se vou conseguir me formar.

Semana retrasada, passei quatro dias sem sair de casa, sem atender telefone, sem ver gente. Dormia, acordava, chorava, ia no banheiro, bebia água, dormia de novo, acordava, chorava...

Aliás, esse problema de "chorar" tá meio foda, porque eu ando chorando até quando tenho que levar o lixo pra fora de casa. Fico pensando que vou encontrar pessoas lá embaixo, e não quero ver ninguém... isso me dá desespero.

Qual é a saída, pra mim? Tentar me abrir com gente que nem conheço. Claro, porque se eles não me conhecem, não vão me julgar, obviamente.

Eu sei que ele sofre. Já sofria comigo, se sentindo jogado de lado (o que eu não fazia de propósito), pensando que eu não gostava mais dele (o que não era verdade), achando que eu me importava mais com outras pessoas do que com ele (o que eu achava que não estava acontecendo), que eu não lembrava dele (eu sempre lembrava, apenas não tinha a capacidade de pegar o telefone e ligar, pelos motivos citados acima). E agora, ele sofre sem mim. E eu sei disso, e eu realmente me importo, apesar de eu ser "a filha da puta", no final das contas.

Acontece que eu não estava feliz. E duvido que ele também estivesse, nessa situação. Aliás, eu sei que não estava, considerando a quantidade de reclamações e pedidos de "liga mais pra mim", "fala mais comigo", "me dá atenção" que eu recebi nesses últimos... ahm... meses.

Não preciso que acreditem em toda essa história. Apenas estou expondo a porra do meu lado, que ninguém procurou saber, nesses últimos dias. E se alguém quer saber, eu vos digo: vou me cuidar. Vou resolver meus problemas e aprender a pensar em mim, pra depois conseguir pensar em outra pessoa.

Mas saibam que não é só ele que sofre, mesmo os sofrimentos sendo completamente diferentes, e nada passíveis de comparação.

Podem continuar me ignorando agora, sem problemas. Afinal, sou uma grande filha da puta, mesmo.


Até mais.